Titular da Semur apoia ideia de incluir religiões cristãs em Estatuto da Igualdade Racial

Titular da Semur apoia ideia de incluir religiões cristãs em Estatuto da Igualdade Racial

titular da Secretaria Municipal de Reparação (Semur), Ivete Sacramento, apoia a ideia de incluir religiões cristãs no Estatuto da Igualdade Religiosa que tramita na Câmara de Vereadores de Salvador. Na avaliação dela, o documento não precisa ficar restrito às religiões de matriz africana.

A questão é o principal ponto de divergência na discussão sobre o Estatuto no Legislativo. Enquanto a Comissão de Reparação da Câmara defende que apenas as religiões de matriz africana sejam incluídas, vereadores ligados a religiões cristãs querem que suas crenças sejam contempladas no texto (veja mais).

Para Sacramento, o fato dos negros professarem diferentes crenças justifica a inclusão de outras religiões. "Pra mim é um avanço muito grande você ter outras religiões, reconhecendo a importância de se fazer ações afirmativas de reparação para os negros das religiões aqui instaladas", comentou a secretária.

"A inclusão significa a permanência do que já existe, e que é fruto de uma luta das comunidades, e a inclusão desses novos atores evangélicos, espíritas, católicos, muçulmanos e de todas as outras religiões que queiram ser incluídas e abarcadas por esse estatuto", explicou.

Apesar de admitir a inclusão de outras crenças, ela apontou que é necessário dar uma ênfase às religiões de matriz africana por conta do preconceito histórico sofrido por seus seguidores. "Até esse ano [2013], nenhum templo religioso de matriz africana, nenhuma casa religiosa, tinha direito a isenção de IPTU, porque não era considerada religião", exemplificou.

No entanto, para o presidente da Comissão de Reparação na Câmara, Moisés Rocha (PT), o Estatuto deve ficar restrito às religiões de matriz africana. "Nós aceitamos as sugestões, as opiniões da secretária, porque temos o máximo respeito para ela, mas é bom fazer essa diferença: esse não é um projeto do Executivo, é um projeto do Legislativo", disse.

"A gente não pode misturar alhos com bugalhos. O Estatuto é exatamente para fazer política de ações afirmativas, para fazer política de reparação para quem  ao longo do tempo teve os seus direitos suprimidos ou oprimidos", reforçou o vereador. "Não tem religião evangélica que sofre qualquer tipo de ação discriminatória, preconceituosa ou de tensionamento por conta de sua origem", disse.

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